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Enoque andou com Deus
 David J. Merkh com Adeildo Luciano Conceição

Chega até nós, vindo não se sabe de onde, um sussurro, um chamado débil, uma premonição de que existe uma vida mais rica, e sabemos que a deixamos de lado. Cheios de tensão em face do ritmo louco de nossas tarefas diárias, a pressão é ainda maior em decorrência da inquietação interior, porque percebemos insinuações de que há um estilo de vida imensamente mais rico e profundo do que toda essa existência apressada. Existe uma vida repleta de serenidade, paz e poder, sem pressa. Thomas Kelly A Testament of Devotion (Um Testamento de Devoção) 

Perto da igreja onde ministros nos períodos de divulgação nos EUA, há um cemitério muito antigo. Várias vezes resolvi deixar o gabinete pastoral e dirigir-me àquele cemitério. Você pode achar que isto foi estranho... mas enquanto passeava por suas ruas ía lendo as inscrições nos epitáfios, procurando imaginar como tinha sido a vida daquelas pessoas, suas alegrias, tristezas, famílias, carreira profissional... e como teria sido suas vidas em relação a Deus. Depois passei a pensar sobre a minha própria vida. O que eu gostaria que as pessoas soubessem a meu respeito após minha morte? Quem fosse ao cemitério e visse meu epitáfio, o que iria ler? Pensar nisto não é algo tão estranho, pois, o próprio Salomão mencionou que tal exercício é algo salutar para o homem (Ec 7.2). 

Recentemente visitei um outro cemitério. Este, porém, se encontra na Palavra de Deus. Nele descobri que há sim esperança para pessoas que, como eu, desejam viver uma vida mais profunda e de verdadeiro significado. Este cemitério se encontra em Gênesis 5.1-31. 

Quando entramos neste cemitério encontramos um resumo da vida de várias pessoas. Na primeira quadra está o túmulo de Adão e seu epitáfio diz: "viveu ao todo 930 anos e morreu" (Gn 5.5). 

Mais adiante encontramos o de Sete e o dele diz: "viveu ao todo 912 anos e morreu"(Gn 5.8). Continuamos andando e encontramos os túmulos de Enos, Cainã, Maalaleel e Jarede. Em todos estes as palavras se repetem: "viveu tantos anos e morreu". 

Mas de repente encontramos um túmulo diferente: em vez de encontrarmos o triste refrão "e morreu", encontramos um sepulcro que diz, "Enoque andou com Deus": "Aos sessenta e cinco anos, Enoque gerou Matusalém. Depois que gerou Matusalém, Enoque andou com Deus trezentos anos e gerou outros filhos e filhas. Viveu ao todo trezentos e sessenta e cinco anos. Enoque andou com Deus; e já não foi encontrado, pois Deus o havia arrebatado" (Gn 5.21-24). 

Enoque e Elias são os únicos homens que a Bíblia menciona que escaparam da morte, pois Deus os tomou para si. O sepulcro de Enoque está vazio. Isto aponta para nós que há uma esperança, há, de fato, uma vida mais profunda e cheia de significado-não precisamos passar pelo ciclo vicioso de vida e morte, podemos andar com Deus! Por trás das nuvens negras da morte brilham pelo menos três raios de esperança para todos nós. 

I. Quem anda com Deus descobre o verdadeiro sentido da vida.

Deus havia dito a Adão que sua desobediência acarretaria em sua morte. Porém, 900 anos se passaram e eles ainda estavam vivos. O leitor de Gênesis 1 a 4 poderia perguntar: será que Satanás tinha razão ao afirmar que certamente eles não morreriam

com sua desobediência? O capítulo 5 vem comprovar a veracidade da advertência divina. "E morreu..." "E morreu..." "E morreu..." Ninguém escapa. A morte é a triste realidade da conseqüência natural do pecado. Morte é o tema deste capítulo. O fato é que a morte nunca foi o plano de Deus para este mundo. Nos capítulos de 1 a 3 vemos Deus como um bom Pai, com filhos e filhas, feitos à sua semelhança, feitos para serem abençoados, com vida e com comunhão constante e amorosa. Porém, seus filhos caíram debaixo da maldição da morte por desobediência. A morte passa a reinar devido ao pecado. Aqueles que foram feitos para viver são agora destinados para morrer, voltando ao pó, vítimas da serpente que agora também come pó. 

A partir de então a vida pareceu perder seu sentido de ser. O homem entrou num ciclo de nascer, crescer, gerar filhos e morrer. E este ciclo torna-se monótono, vez após vez, oito vezes, pessoa por pessoa, até chegarmos ao versículo 21. 

De repente, algo inédito acontece. Uma quebra dramática da narrativa é feita. Enoque não "morreu", ele andou com Deus e Este o levou. Enoque não "viveu", ele "andou" com Deus. Andar com Deus está um nível acima do simples viver. O texto destaca duas vezes o andar com Deus para mostrar que a vida de Enoque foi a exceção no meio de homens que viverem sem sentido e isto faz brilhar para nós um raio de esperança. Não precisamos nos entregar a uma vida insignificante. O segredo de uma vida significativa é um andar com Deus. 

Enoque rompeu o ciclo vicioso, achou significado na vida muito acima de seus contemporâneos. Viveu como luz e sal da terra. Era ele uma pessoa que inspirava esperança, um verdadeiro raio de esperança em meio às trevas do pecado. Ele voltou a andar com Deus, mesmo estando fora do jardim, como Adão e Eva. E hoje Jesus nos propõe a mesma coisa: segui-lo para andar na luz e ter comunhão com ele (Jo 8.12;32). 

II Quem anda com Deus dirige sua vida pela fé. 

Como poderemos romper os ciclos de mera existência de nascer, estudar, casar, trabalhar, ter filhos, aposentar e morrer? Em outras palavras, como vamos andar com Deus em cada uma destas etapas da vida e transformá-las à luz da presença eterna e santa de Deus? 

A vida de Enoque nos traz a resposta. Ela nos mostra a graça de Deus no meio de um dos capítulos mais tristes da Bíblia. Ali a marcha fúnebre pára de vez, e só ouvimos as cordas da vitória. Para escapar do aguilhão da morte, precisamos andar com Deus pela fé. Embora o autor não explique aqui o significado de "andou com Deus", descobrimos mais tarde o que implica. Enoque não atingiu este ideal de vida pelos seus próprios esforços; mas, sim, pela fé. Conforme o autor de Hebreus, viver pela fé foi para Enoque seu segredo para estar com Deus (Hb 11:5,6). 

A maior prova de nossa fé ser verdadeira é o andar com Cristo (Tg 5.13-14). Enoque tinha um Deus tão grande e um "eu" tão pequeno que a única opção para ele foi viver na sombra deste grande Deus. Ele não confiava em seus próprios pensamentos, sonhos e planos (Jr 17.9), mas, sim, confiava que Deus existe e que galardoa aqueles que andam com ele. Acreditava que valia a pena andar com Deus e nele confiar, apesar das pressões de sua sociedade pecaminosa. 

O verbo hebraico que é traduzido em português como "andar" (Gn 5:21) traz a idéia de "passear para cá e para lá", sempre na presença de Deus. É o mesmo usado para descrever Adão e Eva no jardim. Também foi usado para Abraão em Gênesis 13.17 quando Deus o mandou examinar a terra prometida de uma extremidade a outra. Significa viver todos os momentos, tomar todas as decisões, avaliar todos os pensamentos, consultar em todas as dúvidas o Criador do universo. 

Ninguém anda com Deus puxando-o como uma criança puxa o pai para ir à loja de brinquedos. Não somos "colegas" de Deus. Na verdade, é Ele quem nos dirige, guia e direciona e, nós, apenas o seguimos. Quem quer andar com Deus pela fé precisa entregar a escolha para Ele, ir aonde Ele vai e fazer o que Ele faz. 

III Quem anda com Deus deleita-se com os presentes que recebe das mãos amorosas do Pai celestial. 

Jean-Pierre de Caussade afirmou: 
A vida dos que se abandonam em Deus é sempre misteriosa. Recebem presentes excepcionais e miraculosos, entregues através das experiências mais comuns, naturais e casuais, nas quais não parece haver nada extraordinário. O sermão mais simples, a conversação mais banal, o livro menos erudito, tudo é fonte de conhecimento e sabedoria para estas almas, graças ao propósito de Deus. É por isso que, cuidadosamente, eles recolhem as migalhas que as mentes brilhantes menosprezam, porque para eles tudo é precioso, uma fonte de enriquecimento. 

Tal é a experiência daqueles que andam com Deus. Enquanto os que vivem sem Deus procuram saciar sua sede de sentido para a vida em coisas estranhas, aqueles que andam com Deus pela fé se deleitam com os detalhes mais rotineiros de sua vida, pois neles descobriram que o que Paulo disse é verdade: "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus..." (Rm 8.28). A presença de Deus ilumina cada detalhe de nossa vida e nos torna pessoas satisfeitas. Podemos agradecer a Deus pelo café da manhã, louvá-lo por nossa saúde, ser gratos pela blusa que vestimos no inverno... tudo isso porque Deus está conosco e sentimos seu amor nestes detalhes pequenos de nossa vida. 

A presença de Deus não apenas trará sentido para os detalhes da nossa vida, mas por meio dela deixaremos um legado para nossa família. Matusalém, filho de Enoque, viveu até o ano do dilúvio e viveu mais do que qualquer outro homem na face da terra. Isto nos mostra que ele aprendeu com seu pai o que significava, primeiro, obedecer a Deus e, segundo, honrar aos pais (Ef 6.3). Noé, bisneto de Enoque, foi o único salvo juntamente com sua família no dilúvio. Com certeza aprendeu o temor a Deus porque aprendeu de sua família o que significava honrar a Deus. 

Pode haver presentes melhores do que estes? Sentido para vida que traz contentamento e felicidade e também um legado para a família que leva nossos descendentes para mais próximos de Deus? Só isso bastaria para desejarmos andar com Deus, mas, há mais um presente ainda: a vida eterna. Um dia Enoque e Deus estavam passeando, como de costume, quando de repente Enoque olhou para o relógio, viu que era tarde, e disse: "Deus, é muito tarde, preciso voltar para casa". 

Porém Deus lhe respondeu: "Enoque, parece que estamos mais próximos hoje de minha casa. Que tal você pernoitar comigo hoje?" E Enoque nunca mais voltou. Da mesma maneira como ele, nós também podemos ganhar a vida eterna por meio de Jesus. Cristo afirmou: 

Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida... E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. (Jo 5.24, 17:3). 

Hoje o mundo oferece uma série de coisas para dar sentido à vida: dinheiro, fama, tecnologia, drogas e sexo. Porém, aprendemos com Enoque que para o homem descobrir o verdadeiro sentido de sua vida basta ele se voltar para seu Criador e "andar com Deus". Sua vida então deixará de ser "terrena" e passará a ser "celestial". 

Há muitas coisas que poderiam ser escritas no meu sepulcro, mas acho que descobrimos neste texto a melhor de todas. "Ele andou com Deus". Se você ou eu morrêssemos hoje, seria isso o que as pessoas falariam a nosso respeito? 

Que esta seja a descrição da sua e da minha vida. Deus nos convida para justamente este tipo de comunhão constante com ele. Somente andando com o Senhor é que realmente "viveremos" e não apenas "existiremos" como seres criados por Deus. Citado por Gire, Ken. Vida de Meditação. Rio de Janeiro: Editora Textus, 2001. Página 13.
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Base Bíblica: Gn. 4.

É muito fácil a gente julgar a atitude de Caim ou fazer considerações precipitadas sem observar o contexto da Palavra. Ouvi certa vez, por exemplo, que Deus atentou para Abel porque Ele gostava mais do cheiro do sacrifício de animais, do que de vegetais.

Definitivamente, a diferença não estava no trabalho ou no tipo de oferta, mas sim na motivação seguida da atitude de ambos. Como consequência, um obteve a aprovação e outro a rejeição. Vamos atentar para Gênesis 4.1-7:

  1. Adão teve relações com Eva, sua mulher, e ela engravidou e deu à luz Caim. Disse ela: "Com o auxílio do Senhor tive um filho homem".
  2. Voltou a dar à luz, desta vez a Abel, irmão dele. Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, agricultor.
  3. Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.
  4. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta,
  5. mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.
  6. O Senhor disse a Caim: "Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto?
  7. Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo".
Nos dois primeiros versículos conhecemos a identidade dos dois. Filhos de Adão e Eva, formavam a primeira família, cujo primogênito era Caim. Ainda não havia sido instituída a lei que privilegiava os primogênitos, mas se houvesse, Deus também não teria levado em conta, como não fez diferença Abel ser pastor de ovelhas e Caim ser agricultor.

Os versículos 3, 4 e 5, mostram a atitude de ambos ao ofertar. O versículo 3, diz que Caim trouxe do fruto da Terra uma oferta ao Senhor. Enquanto Abel (v.4) trouxe as partes gordas das primeiras crias do seu rebanho. Observemos a diferença. O artigo indefinido uma deixa claro a imprecisão do que Caim trouxe para ofertar, foi uma coisa qualquer. Isso demonstra uma despreocupação e mesmo um descaso. Em contrapartida, o artigo definido as mostra a especificidade de Abel ao ofertar simplesmente o melhor das primeiras crias. Tais atitudes estão nos revelando as verdadeiras motivações implicadas. Ao dar a Deus o melhor da primeira parte, Abel estava colocando Deus em primeiro lugar. A sua motivação não foi outra senão adorar a Deus. Por ter tido a motivação e a atitude certas, Deus se agradou. O fato de Caim entregar a Deus qualquer oferta expressa que sua motivação não foi um ato de adoração, talvez apenas o cumprimento de um ato litúrgico, uma obrigação. O foco dele não estava no Senhor. O engraçado é que ele mesmo estando errado, “se enfureceu e seu rosto se transtornou” (v.5).

É impressionante como Deus sempre nos alerta quando estamos saindo do foco. A não aceitação foi um sinal para Caim de que algo estava errado. Só que ele não percebeu que era com ele mesmo. Daí esta atitude negativa à resposta de Deus. Mesmo sabendo em quem estava o erro, o Senhor mostra a sua misericórdia não só pelo sinal, mas quando o confronta diretamente nos versículos 6 e 7. Deus é direto ao perguntar o porquê de sua atitude negativa. Depois explica que se ele fizesse o bem seria aceito. Deus é bem claro em relação a seu erro, e alerta que quando não se faz o certo o pecado está à porta para dominá-lo. Para Deus o ter advertido dessa forma, é porque ele sabia o certo a se fazer, mas não fez. Como escreve Tiago (4.17): “Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado”. Era exatamente isso que Deus estava alertando a Caim.

8. Todavia, a repreensão do Senhor não foi suficiente para trazê-lo ao arrependimento. Vejamos as consequências disso e a misericórdia de Deus mais uma vez, nos versículos que vão do 8 ao 16:
9. Disse, porém, Caim a seu irmão Abel: "Vamos para o campo". Quando estavam lá, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
10. Então o Senhor perguntou a Caim: "Onde está seu irmão Abel?" Respondeu ele: "Não sei; sou eu o responsável por meu irmão?"
11. Disse o Senhor: "O que foi que você fez? Escute! Da terra o sangue do seu irmão está clamando.
12. Agora amaldiçoado é você pela terra que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
13. Quando você cultivar a terra, esta não lhe dará mais da sua força. Você será um fugitivo errante pelo mundo".
14. Disse Caim ao Senhor: "Meu castigo é maior do que posso suportar.
15. Hoje me expulsas desta terra, e terei que me esconder da tua face; serei um fugitivo errante pelo mundo, e qualquer que me encontrar me matará".
16. Mas o Senhor lhe respondeu: "Não será assim se alguém matar Caim, sofrerá sete vezes a vingança". E o Senhor colocou em Caim um sinal, para que ninguém que viesse a encontrá-lo o matasse.
17. Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node a leste do Éden.

Quando mais uma vez Caim é questionado, nega seu pecado, dizendo não saber de seu irmão. (vv. 8-9). E como Deus já sabia, é direto novamente, perguntando o que ele fez, e determina a sua sentença (vv. 10-12). Só depois de castigado, ele lamenta a sua realidade (vv. 13-14). Mas o pior era se esconder da face de Deus. Assim, quando ele reconhece sua condição, o Senhor demonstra a sua misericórdia e amor, fazendo-lhe uma promessa de proteção e vingança para aquele que o matasse, através de um sinal (v.15). Ainda assim, o pecado o separou de Deus, e a sentença foi cumprida (v.16).

Cabe agora essas perguntas para refletirmos: quais têm sido nossas motivações e atitudes diante de Deus? Temos tido um espírito de adorador, colocando Deus em primeiro lugar como Abel? Ou temos colocado o Senhor em qualquer lugar em nossas vidas, menos o primeiro, como Caim? Será que vale a pena morrer por fazer o certo, ou preferimos matar fazendo o errado? E quando pecamos: nos aborrecemos com Deus e damos nossas desculpas esfarrapadas ou procuramos nos corrigir, dando ouvidos a Ele? Será que estamos atentos aos sinais que Deus nos dá? Estamos sensíveis ao Espírito? Eis aí a questão-chave. Paulo deixa claro em sua carta aos gálatas, quando aconselha: “Por isso digo: Vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne” (Gl. 5.16). Só assim é possível viver em adoração, saindo do plano da obrigação e tendo Deus no centro de nossas vidas. Foi para isso que Jesus pagou o preço de sangue na cruz, para que vivêssemos para Ele: “E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co. 5.15). Esse é o desejo de Deus para nós. Todo o nosso EU deve morrer, para que nosso viver seja CRISTO, e o morrer, lucro (parafraseando Paulo em Fp. 1.21)! Essas são a atitude e a motivação que Deus espera de nós.


Daniely Silva Duarte
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Criação

“E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
(Gn.1.27)

A história de Adão e Eva começa nos mostrando que Deus planejava grandes coisas para nossas vidas. A princípio fomos criados para ter domínio de toda a Terra, semelhante a Deus que possui domínio sobre todas as coisas.
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” (Gn. 1.26).

Deus nos criou com essa capacidade, pois somos filhos Dele.

No sentindo espiritual, Adão e Eva eram como recém-nascidos de Deus que estavam aprendendo o que era a VIDA. Se tentarmos dar grandes responsabilidades para um bebê, dificilmente ele saberia lidar com elas, mas com o seu amadurecimento e entendimento da vida, passaria a suportar melhor as coisas, sem muitas dificuldades. É tudo um processo! O que um bebê só precisa fazer é obedecer quem cuida.

Não foi diferente com Adão e Eva, Deus queria que fossem semelhantes a Ele, mas eles não eram maduros o suficiente para receber tudo o que Deus tinha para a vida deles.

A vontade de Deus hoje, é que sejamos semelhantes a Jesus Cristo. Temos que aprender a crescer no tempo de Deus, para receber suas promessas no tempo certo!




Desobediência e Castigo


Pensem em como era a vida dos dois primeiros humanos. Eles tinham tudo! E não era só em questão de necessidades, porque tudo na terra pertencia ao homem. Além disso, a capacidade humana era muito diferente do que é hoje; é até difícil comparar. Deus levou ao homem, TODOS os animais existentes da Terra para que pudesse por nome neles todos; sozinho! E ele pôs!


“Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo....” (Gn. 2.19-20).


(Temos dificuldade para dar nome a um cachorrinho, imaginem dar nome a todos os seres da Terra.)


“Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” (Gn. 3.1).
Quando a cobra fez essa pergunta, Eva lhe respondeu de acordo com o que Deus havia dito, e então, astuta e maliciosa, a cobra tenta enganar Eva, com suas meias verdades (ou meias mentiras).


“Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.

Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” (Gn. 3.4-5).

Certamente após ela comer a fruto, ficaria como Deus, conhecendo o bem e o mal. Mas ela realmente iria morrer, pois foi sua morte espiritual.

O nosso inimigo Satanás, até hoje continua nos enganando da mesma forma.

Primeiro ele nos faz tirar o foco da vontade de Deus, para olharmos para nós mesmos.

Quando nosso foco está no nosso “eu”, ou na nossa vontade, esquecemos a vontade de Deus e fechamos os olhos para as consequências. Passamos a pensar só no prazer, ou no “benefício”, daquilo que queremos. Na maioria das vezes nos tornamos egoístas, com coragem para fazer qualquer coisa a favor da nossa vontade.

Foi assim com Eva, ela teve coragem de comer o fruto, sem pensar em tudo que aconteceria.



“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.” (Gn. 3.6).

Adão não foi enganado pela cobra, mas ele fez a vontade de sua mulher em vez da vontade de Deus, perdeu o foco em Deus por que priorizou o que Eva queria.

Em toda história, a mulher sempre teve grande influência nas decisões do homem. Um homem quando ama sua esposa, faz de tudo para poder agradá-la, o problema na maioria das vezes, é que ama tanto, que passa a amá-la mais do que a Deus.



“Toda mulher sábia edifica a sua casa; a insensata, porém, derruba-a com as suas mãos.” (Pv. 14.1).

Por isso a mulher precisa ser sábia, para que o homem não perca o foco em Deus, pois é ele que irá conduzi-la.

“Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;

Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. ”(Ef. 5. 22-23)

Ao desobedecer a Deus, veio o castigo em forma de maldição sobre toda a descendência humana.

O homem e a mulher perderam toda a capacidade que tinham antes. Não mais tinham domínio sobre toda a Terra, o homem passaria a ter que trabalhar duro para ter o que precisava, e a mulher se torna dependente dele, sentindo dores que não sentia antes.



“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.

E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.” (Gn. 3.16-17).


E o outro castigo foi a perda da vida eterna.


“Então o SENHOR Deus disse o seguinte: —Agora o homem se tornou como um de nós, pois conhece o bem e o mal. Ele não deve comer a fruta da árvore da vida e viver para sempre.” (Gn. 3.22).
Deus condenou o homem porque ele estava em pecado. Deus é Santo! Não se pode ter comunhão entre a santidade e o pecado, assim como a luz não tem comunhão com as trevas.


“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Co. 6.14).


Jonathan da Silva Oliveira
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